As trocas constantes de emprego são boas ou ruins para sua carreira? (O que é Job Hopping)

Você já ouviu falar em “Job Hopping”? Bom, a expressão que surgiu nos Estados Unidos nada mais é do que uma forma de explicar a troca constante de emprego, em períodos muito curtos, ao longo da carreira. O Job Hopper é aquele profissional que pula de trabalho em trabalho em intervalos que variam entre meses e poucos anos.

Antigamente, era comum ver pessoas passando grande parte da vida na mesma empresa (20, 30 anos trabalhando no mesmo lugar). Mas hoje a realidade tem mudado bastante (veja infográfico e estatísticas abaixo).

Não é necessário entrar em nenhum fato voltado para geração Y, Z, X, J, H ou W, é apenas uma expressão cunhada e uma realidade que a gente vê por aí – e que os dados mostram. Fato é que os Job Hoppers são cada vez mais comuns nas organizações atuais. Bom, mas o intuito do post é trazer visões de especialistas sobre essa prática e ver o que eles têm a dizer sobre o tema, além de mostrar um raio x sobre as trocas de trabalho.

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Ao contrário do senso comum, alguns experts acreditam que essa prática possa até fazer bem para empresas e profissionais. Mas é preciso muita atenção, muita mesmo. A pesquisa a seguir foi realizada pelo Degree Query e teve foco em procura por emprego. Dá só uma olhada nos números e a gente volta a falar sobre Job Hopping.

Dados gerais

  • Anos de permanência (em média) no atual emprego = 4.6.
  • 9/10 Millennials esperam ficar em um emprego menos de 3 anos.
  • Uma pessoa terá de 15 a 20 postos de trabalho em toda a vida!
  • 50% dos jovens entre 20 e 25 anos trocam de emprego a cada ano

Mudar de emprego com freqüência ajuda a sua carreira.

  • 50% das pessoas entre 18 e 34 anos de idade concorda com esta afirmação
  • Apenas 22% de quem tem mais de 55 anos concorda com esta afirmação

Os benefícios esperados:

  • Compensações melhores (salários indiretos, bônus) = 31%
  • Novas competências = 30%
  • Nova empresa / cultura corporativa = 18%

O que os candidatos andam esperando:

  • Estabilidade no emprego = 65%
  • Localização = 57%
  • Benefícios acessíveis = 55%
  • Boa cultura de trabalho: 46%
  • Meio dia às sextas-feiras = 40%
  • Academia no local = 22%

Segundo Ryan Kahn, coach de carreira e fundador do The Hired Group, a percepção de ‘saltos de trabalho’ (Job Hopping) mudou ao longo dos últimos anos e “agora está se tornando comum a muitos, não sendo mais motivo para fazer com que os empregadores ou recrutadores mudem de opinião sobre um candidato.” Segundo ele, essa concepção é voltada para busca por melhores salários e crescimentos em diferentes empresas, mudando a dinâmica da “escalada corporativa”.

Para as companhias, o grande foco é engajamento e retenção inteligente (ou seja, aquela que faz sentido quando os objetivos entre colaborador e organização estão perfeitamente alinhados). Ciente dos benefícios esperados e das mudanças de comportamento, é necessário criar um ambiente que fortaleça o senso de pertencimento e se adeque às expectativas de todos os lados.

Um artigo da Forbes traz os prós e os contras do ‘Job Hopping’, baseada na opinião de especialistas.

Prós

Background Diversificado: Essa pessoa provavelmente pode apontar para experimentar um número interessante de diferentes indústrias e empresas, sendo exposta a uma variedade de desafios”, diz Tracy Cashman, sócio e gerente geral da divisão de TI da WinterWyman.

Acesso a mais informações e recursos: A entrada da internet e a mudança no ambiente de trabalho cria um pipeline gigantesco de informação e diversidade. Um profissional que consegue se adaptar e receber mais conteúdo informacional aplicável pode ser um grande diferencial.

Exposição a diferentes pessoas e culturas: O Job Hopping dá ao colaborador a oportunidade de expandir as experiências e barganhar em torno dos seus conhecimentos.

Larga e poderosa rede de contatos: Esse ponto é bem óbvio né? Mais vivências, mais redes, mais contatos. (Isso tudo contando que seja um profissional interessante. Se não for, aí já era).

Chance para encontrar seu “fit” certo: A prática de pular e experimentar de dá a chance de conhecer aquilo que você quer e o que não quer.

Mais dinheiro: As promoções laterais podem ocorrer com maior facilidade, uma vez que você consegue dar um salto maior indo para outro desafio no qual tem competência, fora da escalada corporativa tradicional.

Contras

Empregadores hesitarão em investir em você: Sua postura não passa confiança e você vai pagar um preço caro por isso. É provável que as pessoas tenham dificuldade em investir no seu crescimento corporativo.

Seu emprego será menos seguro: Segundo especialistas, quando chega um momento de crise ou necessidade de redução de custos, sua cabeça é uma das primeiras a estar a prêmio.

Gap de satisfação e engajamento:  Fazer parte do nascimento de um produto ou serviço e depois ver seu crescimento, é algo fantástico e uma das maiores satisfações profissionais. E claro, uma tarefa de médio e longo prazo. Você provavelmente não vai experimentar isso.

Você terá uma mancha nos seus relacionamentos e indicações:  Cada vez mais empresas buscam referências e indicações profissionais. Provavelmente você não terá o suporte de todo mundo por aí, certo?

Vão questionar a capacidade de julgamento: Recrutadores e gestores, principalmente com muitos anos de mercado, vão questionar o Job Hopper é bom ou ruim em tomar decisões. “”Um ou dois tiros cursos na sua carreira é bastante aceitável, pode ser uma empresa que faliu, uma demissão inesperado ou uma falta natural de FIT. Mas se você tiver muitos casos assim, as pessoas vão começar a dizer que é você que não tem bom senso. E mau julgamento é uma coisa que empregadores não querem”, explica Cashman, da WinterWyman.

Vão achar que você vai partir no primeiro sinal de problema: Sempre pairará no ar a dúvida se você buscará a ‘grama mais verde do vizinho’.

Contexto

O ideal é profissional e empresa entenderem claramente sua cultura. Exemplo: se uma empresa precisa de algum funcionário com diferentes backgrounds, para cargos de visão sistêmica e experiência, trazer um job hopper pode até fazer sentido. O grande segredo dos recrutadores será entender as motivações que fizeram com que essa pessoa andasse pulando de galho em galho.

Porém, a mancha do pula pula sempre estará lá e será um alerta claro para o RH e para os gestores diretos. Dessa forma, é bem provável que esse contratado não tenha um plano de carreira bem definido e esforços da organização para o seu crescimento. Algo bem compreensível, né?

Bom, como dissemos lá em cima, não há certo ou errado. É um conceito e uma realidade que bate à porta todo dia. Se gostar ou tiver alguma opinião, compartilhe lá embaixo ou deixe um comentário. Será super importante!

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...