O “eu” também erra. Comece a assumir sua responsabilidade

No ambiente corporativo mais moderno, errar tem feito parte do negócio, tem sido aceito como aprendizado organizacional. E isso pode levar as empresas a patamares muito interessantes. Além disso, essa cultura permite maior criatividade, inovação e melhorias processuais constantes. Mas para que esse modelo se consolide, é necessário que as pessoas comecem a assumir sua responsabilidade perante o erro, principalmente os gestores.

Eu ganhei / nós empatamos / vocês perderam 

A partir de certas escaladas no ambiente organizacional, é comum que gestores despreparados fujam de assumir aquilo que lhes cabem, principalmente nos momentos mais difíceis. Algumas vezes, dividem com a equipe a culpa de um resultado que elas nem sequer opinaram, participaram ou sabiam estar acontecendo.

É aí que uma cultura organizacional pode começar a ruir.

A meritocracia só funciona se vier compartilhada com a parte inversa da história. A coisa só funciona bem quando aqueles que tomam decisões, definem o ritmo da música, passam a assumir também a parcela considerável de responsabilidade sobre determinadas ações. É papel da liderança saber o caminho. E para que isso aconteça, duas coisas são fundamentais: ter autoconhecimento para perceber onde errou e maturidade alta para saber admitir.

“It´s the leadership, stupid”*

É parte do papel de líder compreender o grau de maturidade que ele tem perante as ações da equipe e da empresa. Se não compreende, aí já há o primeiro problema. Essa postura precisa partir do topo da pirâmide organizacional. Se o CEO ou grande parte do board não admite seus erros e está sempre apontando o dedo para outra pessoa, é comum que essa cultura passe a fazer parte da rotina da empresa, virando padrão negativo para momentos de assumir responsabilidade.

Para que isso aconteça, a liderança precisa ter um nível interessante de maturidade. E isso só vem com autoconhecimento e vontade de se compreender. Caso não aconteça, algum tipo de trabalho externo pode ser útil, uma vez que esse perfil demonstra que há uma cegueira generalizada (ou individualizada) nos líderes e o grau de blindagem pode estar alto.

Nos textos aqui, a gente sempre gosta de mencionar aquele exercício do “quando foi a última vez”. E tem mais um neste post, claro. Enquanto lê, comece a refletir (e depois escrever) sobre “quando foi a última vez que eu fui responsável direto por uma tomada de decisão, falhei e admiti meu erro?”. Pode até ser no cotidiano. Coisas pequenas, de casa, da rotina do escritório. Depois vá pensado em situações maiores, estratégicas.

  • Tirei algum aprendizado disso ou simplesmente virei as costas?
  • Culpei alguém?
  • Assumi a responsabilidade publicamente?
  • Pedi feedback para as pessoas sobre esse erro?
  • Cumpri meu papel de líder ou fui cego (a)?

Quando se está em posições mais altas na cadeia hierárquica, fica confortável descer essa responsabilidade. É cômodo, rápido e fácil. Certo? Mas se a liderança quer realmente levar a organização para outro patamar, é melhor começar a levar a sério a maturidade de assumir suas próprias ações e ser o espelho que se espera do quadro corporativo. E para isso é preciso entender o seu papel e, principalmente, deixar o ego em casa, pensando como CNPJ e não como CPF. Você representa algo maior do que sua vaidade.

Dá só uma olhada no pedaço do artigo do Glenn Llopis, para a Forbes. (4 razões que explicam por que os grandes líderes admitem seus erros)

“Você nunca pode ir para a liderança sozinho. Infelizmente, muitos líderes permitem que os seus egos e agendas ocultas fiquem no caminho, ao invés de fazer o que é melhor para as pessoas e organizações que servem. Os líderes não são responsáveis por estarem sempre certos. No entanto, eles são responsáveis por ver que os problemas tornam-se oportunidades…Ser o líder mais eficaz nos obriga a assumir a responsabilidade de dissecar tanto o “porquê” quanto o “como” durante momentos de sucessos e falhas.”.

Bom, para terminar, seguem os 4 pontos que explicam a razão de os grandes líderes admitirem seus erros.

1 – Você ganha respeito. As pessoas não esperam perfeição, mas sim transparência, honestidade e justiça.

2 – Vulnerabilidade fortalece a equipe. Quando os líderes admitem erros, eles trazem clareza possíveis gaps e eleva um importante senso de responsabilidade que pode ser compartilhados entre a equipe. Todo mundo começa a valorizar a importância suportar um ao outro.

3 – Liderando pelo exemplo. Isso eleva o envolvimento dos funcionários. Eles passam a ter menos medo de fazer, de evoluir e trazer coisas que possam levar a organização a um nível mais alto.

4 – Construção de confiança. Quando os três pontos acima são alcançados, a cultura corporativa passa a elevar a confiança dos colaboradores, trazendo um senso de empreendedorismo maior, tomadas de decisões mais inteligentes e corajosas.

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Mas como a gente sempre diz, “aí é com você”. Se acha que faz sentido, vale entrar fundo nisso e perceber qual tem sido seu comportamento perante o erro.

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Ps: a foto aí do post é do Steve Harvey, o cara que errou no Miss Universo 2015, anunciando como vencedora a segunda colocada. Ele admitiu o equívoco e pediu desculpas.

 

 

Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...