Como a arrogância aos 20 e poucos anos pode acabar precocemente com uma carreira

arrogância
substantivo feminino

1. ato ou efeito de arrogar(-se), de atribuir a si direito, poder ou privilégio.
2. p.ext. qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez.
3. p.ext. atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; insolência, atrevimento, ousadia

.Origem
⊙ ETIM lat. adrogantĭa ou arrogantĭa,ae ‘arrogância, bravata, insolência, pretensão orgulhosa’, de adrŏgans,antis, part.pres. de adrogāre ‘interrogar, adotar, perfilhar, unir’

Hoje começamos de um jeito diferente, com uma definição direta (powered by Google). Nada de mais, nada de menos. É só para dar clareza ao que discutiremos na sequência.

Digamos que você conhece alguém com 20 e poucos anos, com um talento em potencial, começou cedo e vai crescendo na carreira. Essa pessoa muda um pouquinho, passa a acreditar mais em si, o que é natural e encorajador para que se é jovem. Mas de repente está agindo como um completo idiota.

Já viu isso acontecendo por aí? Com você, com outros? Bom, então vamos voltar lá ao tema do título.

Por que esta pessoa pode estar colocando tudo a perder? Então, podemos enumerar diversos fatores. E assim o faremos. Se um comportamento interessante não é algo que o indivíduo carrega consigo por natureza ou desenvolvimento, talvez alguns desses pontos possam fazer sentido.

(escreveremos usando ‘você’ a partir de agora, mas não se preocupe. É apenas para pessoas arrogantes. Você, o leitor bacana que se interessou pelo texto, continua sendo legal).

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1 – Sua área, sua cidade, seu ciclo…tudo isso é realmente um ovo

More você numa capital ou no interior, seu ciclo de atuação sempre será extremamente restrito. As pessoas que trabalham em determinadas áreas conversam, frequentam eventos, discutem possibilidades entre si e pedem referências constantemente. “Ah, mas eu sou empreendedor, sou dono do meu próprio nariz e não devo nada para ninguém”. OK, parabéns, mas os mesmos argumentos continuam valendo.

2 – O estagiário de hoje é o CEO de amanhã

Sim, é verdade. O mundo dá voltas interessantes e você ainda vai comer no prato que cuspiu. Aquele bobo de outrora se desenvolveu e virou seu chefe, seu futuro cliente, seu investidor, banqueiro…

Lembre-se disso, já que como dissemos anteriormente, você não consegue deixar de ser arrogante por natureza.

3 – Seu foco é o seu ego

Bom, pense bem. Quem não consegue discutir, argumentar, compor e gerenciar equipes sem ser arrogante não tem um foco muito claro. O grande objetivo é inflar o próprio ego.

4 – Agregar e gerir? Impossível.

Os liderados tendem a se afastar de um líder com perfil como este acima. Dê só uma olhada num trecho extraído de uma pesquisa apresentada na “American Psychological Association”, conduzida pelo professor Stanley Silverman, reitor da UA’s Summit College.

“Apesar da aparente confiança de quem se envolve em comportamento arrogante, a pesquisa sugere que essa é realmente uma exibição defensiva que ocorre parcialmente em resposta a baixa auto-confiança. Assim, as alegações de desempenho por indivíduos confiantes são baseados na realidade, mas aqueles de indivíduos arrogantes não são”.

Potencial + Juventude + Arrogância – Resultado = espetáculo da farsa

Muitos arrogantes costumam se posicionar dessa forma atrás de resultados interessantes, sentindo-se encorajados a tal atitude devido ao seu comportamento teoricamente ‘fora da curva’. Porém, há um outro grupo neste balaio formado por indivíduos que nem grandes entregas possuem, nunca conseguiram alcançar nenhum tupo de performance, mas seguem com uma atitude arrogante e intolerante perante os colegas.

Para essas pessoas, todos (ou praticamente todos) os profissionais são péssimos, os chefes são ruins e os gestores não merecem estar onde estão. Falam frases do tipo “se eu fosse o CEO, faria as coisas diferentes por aqui”. Bom, fato é que o CEO teve que ralar muito para chegar onde chegou, assim como várias outras pessoas por aí. Além disso, ler um ou dois livros sobre determinado assunto não torna qualquer pessoa especialista em nada e só a entrega real de resultados e a colaboração para a sustentabilidade da performance de equipes te faz ser realmente um grande profissional. De resto, você é apenas uma pessoa arrogante. Nada além disso.

Reflexões generalizadas

Para pais: se o arrogante das histórias acima é o seu filho, atue como um pai ou mãe sábio e veja o que pode ser feito para colaborar.  Bom material da Forbes sobre crianças que se acham superiores.

Para empresas: gestores devem ficar atentos quanto este comportamento começa a se multiplicar. É preciso entender que o perfil se tornou parte da cultura corporativa e há um problema aí (a não ser que sua cultura seja assim mesmo). Uma olhadinha neste artigo pode ajudar.

Para amigos: tente, quando possível, dar feedbacks para a pessoa sobre como os outros a enxergam atualmente.

Para arrogantes: como um bom arrogante, será difícil extrair algo deste texto tão simples. Mas se por um milagre você resolver refletir, vamos lá: converse com seus pais, seus gestores, seus parceiros e seus amigos mais próximos. Isso realmente pode ser útil!

Por fim e para completar, alguns materiais que podem ser bem úteis.

How Arrogance Can Blind Your Transformation Efforts – Harvard Business Review
Twelve Signs Arrogance Is Running Your Company – Business Week
Buffett Says Next Berkshire CEO Must Fight Arrogance –  Bloomberg

Espero que de alguma forma seja útil. O texto foi bem simples e com pouco embasamento científico. A ideia é contar caso e mostrar possibilidades da vida real.

Um abraço e até a próxima.

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...