Como a má interpretação de sucesso faz com que você compre o sonho de todo mundo, menos o seu

Por aí, todo dia tem um livro novo sobre sucesso, todo dia tem um empreendedor ganhando muito dinheiro, todo dia tem alguém encontrando seu propósito num post bonitinho sobre jogar tudo para o alto, todo dia tem um palestrante de autoajuda te contando histórias que o fizeram ficar rico e mudar de mindset, todo dia tem o caso de um diretor que trabalhou 66h por dia e abandonou a família para ‘chegar lá’…e assim segue. Na vida das redes sociais e das publicações especializadas em negócios, todo mundo tem um sonho para te fazer acreditar nele.

Muito legal cada um desses passos. É sempre bom ver alguém atingindo seu sonho e chegando a um lindo sucesso. E todo dia tem uma história dessa sendo compartilhada. Os empreendedores de capa de revista, os palestrantes motivacionais, as histórias dos sites de business, o sonho grande, tudo isso tem criado um imaginário coletivo com uma linha mais ou menos definida do que é ter sucesso na vida.

  • Dinheiro
  • Cargo
  • Status
  • Fazer SOMENTE aquilo que ama
  • Montar algo de 1 trilhão de dólares

Obviamente que essa é uma redução do que temos visto, mas era só para ter uma base para seguirmos neste texto. Dia após dia tenho visto pessoas inserindo estes pontos acima como aquelas fundamentais para ter sucesso na vida. São possibilidades até bem reais cada uma dessas acima, mas elas precisam fazer sentido para você.

Além disso, basear sucesso a status e cargos são coisas interessantes. Certa vez vi um palestrante falando que perguntou num evento qual era o maior objetivo de vida para 200 gerentes de bancos. Os 200 disseram que queriam virar diretores daquele branco. O responsável pela palestra, no palco, prontamente devolveu a seguinte frase.

“Ou esse banco abre 200 vagas de diretoria ou teremos mais ou menos umas 195 pessoas frustradas aqui”.

Ele quis dizer que muito provavelmente não é tão real atrelar seus objetivos a apenas uma condição de cargo,status ou crescimento vertical. Existem outras opções. E isso falando apenas da vida profissional. Este mesmo palestrante, num livro contou que o maior caso de dedicação clara e propósito de vida que ele observou foi de um carteiro nos Estados Unidos. Ele era extremamente dedicado à profissão e se entregava a aquilo com um amor absurdo. Este profissional atendia um determinado bairro e percebeu que havia um morador que nunca estava em casa, deixando um acúmulo de cartas na varanda (algo comum nos EUA). Um dia o dono da residência retornou para casa e foi surpreendido pelo carteiro com um bloco separado, um envelope com as correspondências dos últimos meses.

“Oi, eu sou o John, seu carteiro. Fiz questão de separar as cartas, guardá-las num envelope fechado e trazer comigo todos os dias até que você chegasse. Como você sabe, as pessoas com má intenção percebem o acúmulo de correspondência na porta como um sinal claro que não há ninguém em casa e começam a fazer alguns planos maliciosos. A polícia sabe desse tipo de crime. É comum ter arrombamentos aqui. Portanto, fiz questão de tomar esta atitude para prevenir que acontecesse isso com você. Vamos fazer um trato: quando for viajar, fique à vontade para me avisar, assim separo suas cartas e você fica protegido”.

Essa passagem do livro é muito interessante e tem a ver com o tão falado e aclamado sonho grande. O autor quis mostrar que o sonho daquele carteiro é ser o melhor carteiro que ele possa ser. E voltar de noite feliz para casa por ter realizado um trabalho tão brilhante. E isso é fantástico.

O mito do sonho grande

Toda vez que vejo alguém falando de sonho grande eu paro e penso: o ‘que será que significa isso?’. Me explica aí. Usualmente, está atrelado a ganhar muito dinheiro, ter status, sucesso (na concepção do senso comum).  Vale muito a reflexão neste ponto. Nós estamos vivendo uma era de empurrar goela abaixo os sonhos para uma concepção coletiva desse conceito.

Pensa bem: quem te falou que o sonho daquele carteiro é pequeno? Quem disse que aquela padaria que existe há 30 anos, bem cuidada, tocada com muito amor pelo dono precisa virar uma rede gigante de franquias, com 600 lojas? Isso é a sua concepção, ou aquela que enfiaram na sua cabeça.

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Claro, para quem esse ‘sonhos grandes’ passam por dinheiro, fama e status, poxa vida, realmente vá atrás disso. É super válido correr atrás daquilo que acredita. Mas realmente tem que acreditar. O que tenho visto é ir atrás, atrás, atrás do sonho de alguém, e de repente perceber que está faltando alguma coisa. E que as vezes atrelar uma empresa legal, ou um trabalho de carteira assinada legal, com uma família, um lugar para voltar, viagens e uma base boa de pessoas ao seu redor também é ter sucesso.

Acredito muito em empreender pelo meu próprio braço, em correr MUITO atrás dentro da própria empresa quando está trabalhando de carteira assinada, em estudar, em curtir em casa, em tomar uma cervejinha, ir crescendo no seu ritmo, em viver bem com os amigos, em ter uma vida fora do ambiente profissional. Mas tudo isso deixando um legado absurdo de desenvolvimento profissional das pessoas ao meu redor, desenvolvimento pessoal, fazer a diferença na vida de quem está perto, ajudar, tentar crescer profissionalmente, nunca aceitar ser pior do que ontem, lutar cada dia no trabalho, entregar resultados acima dos esperados. Porém, esse é o meu sonho grande. Aquele que construí através da minha base. Se alguém acha pequeno ou grande, sinceramente, paciência. É preciso ter essa convicção, com os seus valores, seu suor, sua luta, seu ritmo, seu caminho, sua construção, sua consciência.

O que quero dizer com isso é que a concepção de sonho é absolutamente pessoal e não pode ser simplesmente fruto de uma histeria coletiva. Sucesso é uma coisa sua. E o primeiro passo para encontrar um caminho é saber o que é sucesso para você. Não existe receita de bolo, não existe Exame, Você S.A., podcast ou guru. Ele precisa ser seu. E para isso é preciso construir uma base. Uma base de compreensão, de autoconhecimento e de sinais. Existe uma forma de fazer isso, sim. De iniciar essa busca.

Dá só uma olhada neste artigo da Harvard Business Review sobre “Gestão de trabalho e de vida”.

Por fim, o que quero te dizer é: não aceite o que é dado, os sonhos que são vendidos, as materiazinhas sobre propósito de vida de pessoas que ficam paradas e falando que estão indo atrás disso. Quando você tiver essa base de valores definidas, essa estrutura de conhecimento bem-feita, você vai saber muito bem o que é sonho para você e o que estão querendo te vender. Tem muita gente sofrendo por aí, principalmente por falsas expectativas e sentimentos de que são mais especiais do que todo mundo. Ainda mais nos tempos de hoje.

Dá só uma olhadinha neste artigo 1:

Dá só uma olhadinha neste artigo 2:

Para resumir, uma bela frase da Ana Colômbia.

“Quando as pessoas sentem que estão sem senso de direção, sem propósito de vida, é porque não sabem o que é importante para elas, elas não sabem quais são seus valores. E quando você não sabe quais são seus valores, então está essencialmente adotando os valores dos outros e vivendo as prioridades dos outros ao invés das suas prioridades. Isso é um bilhete sem volta para relações pouco saudáveis e eventualmente para a miséria… Saiba mais aqui.

Bom, acho que é isso por hoje. Lembre-se que o sonho grande é o seu sonho. Você pode e deve ir atrás de crescimento, de desenvolvimento, de nunca ficar no lugar. Mas para ter a vida com algum tipo de legado que faça sentido na sua mente, não por que a Você S.A. pediu.

Um abraço e até a próxima.

Ah, por fim:

Se você quer empreender e todo mundo te julga: problema é deles. Vá atrás do que acredita.

Se você quer trabalhar de carteira assinada e é muito feliz com isso, curta seu perfil.

Se você acredita no funcionalismo público e quer deixar um legado de mudanças, vá na fé.

O sonho é seu!!!

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...