Como desafios te tornam mais humilde e ajudam no seu desenvolvimento (zona de conforto parte 1)

A gente sempre ouve falar em zona de conforto por aí. Às vezes torce um pouco o nariz, acha que a expressão nada mais é do que um belíssimo clichê. E pode até ser mesmo. Mas nada como um desafio ou uma mudança repentina para lhe tirar dessa zona e ver que ela realmente existe.

Essas transições podem ser abruptas, planejadas, calmas, difíceis, mas sempre podem ter um papel fundamental para te levar a um nível diferente de desenvolvimento, pessoal e profissional. Mas como os desafios te tornam mais humilde e ajudam no seu desenvolvimento?

Uma coisa de cada vez.

1. Falta de humildade escondida

 

Ao se especializar em alguma área ou adquirir certo conhecimento sobre ela, paira sobre nós uma sutil auto-confiança interna (natural, obviamente, pois você lutou para chegar até ali). Mas a linha entre essa confiança, uma certa soberba e preguiça é bem tênue. E o mais interessante nisso tudo é que nada disso é aparente, nem sequer a soberba, quando vem. Ela pode estar escondida em partes do cérebro que muitas vezes não fica nítida. Ao dizer que não é aparente, queremos dizer que essa falta de humildade não é sair por aí se gabando, mas apenas parar de se desenvolver por já ter domínio sobre a situação, um certo controle (viu que existe a tal zona de conforto?).

Dessa forma, nossas ações tendem a entrar num modo mais ‘zen’. A busca por iniciativas realmente disruptivas pode diminuir, um certo status quo aparecer e não irmos mais tão fundo em possibilidades reais de mudança. E quando é que isso começa a aparecer? Quando você já não busca mais benchmarking, quando não ouve os colegas de empresa, quando já não vê mais motivação no que faz.

Cenário desagradável para o profissional e para a empresa, certo? Sim, certo!

Mas quando um desafio aparecer, certas coisas chacoalham em você.

2. Oportunidade de desenvolvimento

 

Quando um problema aparece, um processo novo é implementado, você muda de área ou alguma mudança clara ocorre no seu cotidiano de trabalho, alguns pontos que até então eram claros são postos a prova. E isso pode acontecer de várias formas.

  • Você não tem todas as respostas como achava que tinha antes
  • O status quo está estremecido
  • Sua capacidade de resolver os problemas anteriores pode não servir tanto agora
  • Você precisa ouvir as pessoas
  • Você precisa sair da bolha

E aí chegamos ao ponto mágico da pergunta do título desse post. Todas os questionamentos acima te fazem refletir, aumentar a humildade interior e aproveitar o desafio que apareceu para se desenvolver.

VOCÊ NECESSITA FAZER AS COISAS DE FORMA DIFERENTE.

3.A ciência da sua “zona de conforto” e por que é tão difícil deixá-la

Olha só o que este artigo da Life Hacker traz sobre o tema.

Simplesmente, sua zona de conforto é um espaço comportamental onde suas atividades e comportamentos encontram uma rotina e um padrão que minimizam o stress e risco. Ele fornece um estado de segurança mental. Você se beneficia de maneiras óbvias: felicidade normal, baixa ansiedade e redução do estresse.

A ideia da zona de conforto remonta a uma experiência clássica em psicologia. De volta a 1908, os psicólogos Robert M. Yerkes e John D. Dodson explicara que um estado de relativo conforto criado um nível constante de desempenho. Para maximizar o desempenho, no entanto, precisamos de um estado de ansiedade, um espaço único, onde os nossos níveis de stress são ligeiramente maiores do que o normal. Este espaço é chamado de “ansiedade ideall,” e é logo fora da nossa zona de conforto.

Segundo o estudo, demasiada ansiedade e um alto grau de estresse nós fazem parar de ter capacidade produtiva, e nosso desempenho cai drasticamente.

A ideia de ansiedade ideal não é nada de novo. Qualquer um que já se esforçou para chegar ao próximo nível ou realizar algo grandioso sabe que quando você realmente desafia a si mesmo, você pode gerar resultados surpreendentes. No entanto, avançar demais nisso, de maneira descomunal, pode realmente causar um resultado negativo, e reforçar a ideia de que desafiar a si mesmo é uma coisa ruim (seu cérebro guardará essa experiência). Aí, aparecerá a nossa tendência natural para voltar a uma ansiedade neutro, um estado confortável. Você pode entender por que é tão difícil de levar o seu cérebro fora de sua zona de conforto. Mas há possibilidades.

O que você ganha quando você se libertar e experimentar coisas novas?

Ansiedade ideal é aquele lugar onde a sua produtividade e desempenho mental atingem o auge. Ainda assim, “melhor desempenho” e “produtividade melhorada” apenas soam como “fazer mais coisas.” O que não é verdade. O que você realmente ganha quando você está disposto a pisar fora de sua zona de conforto?

Você vai ser mais produtivo. Conforto mata a produtividade pois sem a sensação de incômodo, que vem de ter prazos e expectativas, tendemos desligar um pouco e fazer o mínimo necessário para sobreviver. Perdemos a vontade e ambição de fazer mais e aprender coisas novas. Nós também caímos numa armadilha de estarmos sempre ocupados (ou fingindo estar), como uma maneira de ficar em nossas zonas de conforto e evitar fazer coisas novas.

Você terá mais facilidade para lidar com as mudanças novas e inesperadas. Neste artigo no The New York Times, Brene Brown, uma professora da Universidade de Houston, explica que uma das piores coisas que podemos fazer é fingir que medo e incerteza não existem. Ao assumir riscos controlados e desafiar a si mesmo para coisas que você normalmente não faria, você pode experimentar a sensação de incerteza, mas dentro de um ambiente gerenciável e pode ser controlado ( o que ele quer dizer é que você pode começar com pequenos passos, com riscos calculados, experimentos). Você começa a aprender a viver fora da sua zona de controle quando você mesmo inicia ações assim, experiências. Isso facilita para as mudanças que você nem sequer pode controlar.

Será mais fácil subir seu limite no futuro. Uma vez que você começar a sair de sua zona de conforto, fica tudo mais fácil com o tempo. Este mesmo artigo NYT explica que como você pisa fora de sua zona de conforto, você vai se acostumar com esse estado de ansiedade ideal. O “Desconforto Produtivo”, como eles chamam, torna-se mais normal para você, e você está disposto a superar seu limite, antes que o seu desempenho comece a cair. Ou seja, você vai mais longe. Esta ideia é bem ilustrada no infográfico da Future Science Leaders.

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Você vai encontrar maneiras de aproveitar sua criatividade. Este é um benefício bem sutil. Mas tentar coisas novas pode nos fazer refletir sobre nossas velhas ideias e onde eles colidem com o nosso novo conhecimento. Isso pode gerar inspiração para saber mais e desafiar preconceitos muito confirmado, além da nossa tendência a buscar informações que já concordamos previamente. Mesmo no curto prazo, uma experiência positiva desconfortável pode nos ajudar a debater, ver velhos problemas sob uma nova luz, e enfrentar os desafios que enfrentamos com energia renovada.

Bom, creio que por hoje está OK.

Na segunda parte deste post você pode ver como efetivamente sair da zona de conforto. Combinado?

Antes de ir embora, quero agradecer algumas pessoas que me tiram e tiraram da bolha de tempos em tempos, com desafios, questionamentos e mudanças repentinas. Obrigado, PF, AJ, LB, MA, AD, GC, GV, RP SR, DB, RP, AP, pai e mão, e tantos outros que me ajudam todo dia.

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...