Positividade e inteligência emocional no ambiente de trabalho: faz bem para você, para os outros e para a empresa

Olá, pessoal. Tudo certo?

Recentemente, por essas oportunidades boas que a vida nos dá, tivemos a chance de ouvir um pouco da história do Diretor de Engenharia do Google na América Latina – Berthier Ribeiro Neto. Ele foi até a Samba Tech falar sobre mercado, vida acadêmica, cultura, gestão e muito mais. Por sua própria história, o Berthier pode ser considerado um fenômeno no Brasil, pois conseguiu construir uma brilhante carreira acadêmica (foi professor e pesquisador na UFMG), um caminho empreendedor (fundou empresas que foram sucesso e ainda vendeu uma delas para o Google) e uma trilha de TOPO no ambiente corporativo (ele é o CTO do Google, né gente).

Bom, mas o que mais chamou a atenção neste workshop foi uma frase específica sobre positividade no ambiente de trabalho, principalmente para gestores.

Você precisa entender o impacto que suas ações têm sobre os outros. Um grande líder precisa ser positivo, este é o grande ponto. Todo dia quando você sair de casa de manhã, tenha uma séria conversa com aquele cara do espelho, aquele que vai querer reclamar, que vai xingar colaboradores, que vai discutir com pessoas, que vai ser contra tudo. Esse cara tem que ficar em casa. Diga a ele: ‘bom, agora eu tenho que sair. De noite nós terminaremos esta conversa.’ Este é o caminho mais importante para um grande gestor.

Você já parou para pensar no que isso significa? Você já refletiu como tem agido recentemente? O recado que ele dá é claro, simples e eficaz: não seja o reclamão, o brigão, o chato, o fraco emocionalmente, pois isso refletirá diretamente no seu ambiente de trabalho e na produtividade da sua equipe. Sabe o ‘chefe’ que chega na sala e o clima muda na hora? Aquele que quando aparece todo mundo se transforma, o humor cai, as ideias desaparecem e as coisas ficam pesadas? É este que você está disposto a ser? Bom, sinceramente espero que não.

E a frase do Berthier e esta linha de raciocínio levam a pontos extremamente interessantes da “Psicologia da Positividade” e da “Inteligência Emocional”. Ah, e para deixar claro, essas duas frentes estão sendo pesquisadas fortemente pelo mundo, mostrando como esses aspectos têm clara influência no ambiente organizacional, produtividade e performance.

Por que a positividade é tão importante no ambiente de trabalho

Baseado nos estudos da Dra Marla Gottschalk

A maioria de nós está familiarizado com os termos “capital econômico” ou “capital humano”. Mas, você já considerou a noção de “capital psicológico” e como ele se relaciona com sua vida profissional? Pesquisadores que estudam a aplicação da Psicologia Positiva para o local de trabalho analisaram cuidadosamente essa ideia – um corpo crescente de evidências demonstra que uma mentalidade positiva não só pode afetar nossas atitudes em relação ao trabalho, mas os resultados que se seguem. Na verdade, o “capital psicológico” que trazemos para a mesa pode ter um impacto significativo sobre trabalho e carreira.

Recentemente a Dra Marla Gottschalk pesquisou como os princípios da psicologia positiva podem fornecer um guia para nos ajudar a alcançar maiores níveis de felicidade no trabalho (o que representa produtividade, resultado e, obviamente, lucro). No geral, o movimento salienta a identificação do que é “certo” com as nossas vidas de trabalho – construindo sobre contribuições positivas (enfatizando as nossas forças, celebrando PEQUENAS VITÓRIAS, e tendo como base a gratidão).

Ao longo deste raciocínio, os pesquisadores da “Oxford Schoolarship’ identificaram uma construção de alto impacto, apropriadamente chamado ‘Psychological Capital (PsyCap)‘. O capital psicológico é composto de uma série de recursos psicológicos fundamentais que trazemos para nossas experiências de vida de trabalho. O estudo chegou a um acrônimo que representa os principais pontos do capital psicológico para as organizações. HERO (herói).

  • Hope. A crença na capacidade de se perseverar em direção a objetivos e encontrar os métodos ou caminhos para alcançá-los.
  • Efficacy. A confiança que você pode se colocar diante do esforço para alcançar os resultados.
  • Resilience. A capacidade de se recuperar em face da adversidade ou fracasso.
  • Optimism. Uma visão geral positiva do trabalho e o potencial de sucesso.

Em outras palavras: positividade no ambiente de trabalho pode levar a uma maior eficácia de gestão, clima organizacional, cultura de resultados, alta performance e alcance das metas. (Já estamos levando em conta que você tem capacidade técnica, do contrário não teria chegado onde chegou)

Recursos complementares:

Psicologia da Positividade / Psychological Capital: Developing the Human Competitive Edge 

Inteligência emocional e melhores resultados

Se pensarmos de uma maneira simplória, nem é necessário explicar o conceito de inteligência emocional… (brigou com a namorada e saiu xingando todo mundo no escritório? tropeçou na rua e isso estragou seu dia? acordou de mau humor e sua produtividade caiu? VOCÊ NÃO TEM INTELIGÊNCIA EMOCIONAL). Mas as coisas vão muito além disso. Bom, mas em poucas palavras Inteligência emocional é um conceito em Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

Nota da Harvard Business Review sobre o tema. Foi Daniel Goleman quem primeiro trouxe o termo “inteligência emocional” para um grande público com seu livro de mesmo nome de 1995 e foi também ele que primeiro aplicou o conceito de negócio com seu artigo de 1998 na HBR. Em sua pesquisa em quase 200 grandes empresas globais, Goleman descobriu que as qualidades tradicionalmente associadas com a liderança, como a inteligência, tenacidade, determinação e visão (necessárias para o sucesso) são insuficientes. Verdadeiramente líderes eficazes também são distinguidos por um alto grau de inteligência emocional, que inclui auto-conhecimento, auto-regulação, motivação, empatia e habilidade social.

Estas qualidades podem soar “soft” e sem sistema nem método, mas Goleman encontrou vínculos diretos entre inteligência emocional e resultados de negócios mensuráveis. Embora a relevância da inteligência emocional para o negócio continuou a acender o debate ao longo dos últimos anos, o artigo de Goleman continua a ser a referência definitiva sobre o assunto, com uma descrição de cada componente da inteligência emocional e uma discussão detalhada de como reconhecê-la em líderes potenciais, como e por que ele se conecta a performance, e como ele pode ser aprendido. 

Na pesquisa que conduziu, Goleman conseguiu demonstrar de maneira qualitativa e quantitativa que a inteligência emocional levava a resultados esperaculares nas organizações (foram analisadas empreses e líderes como Lucent Technologies, British Airways, and Credit Suisse).

Quando analisei todos esses dados, eu encontrei resultados dramáticos. Claro que o intelecto era um motor de um desempenho excepcional; habilidades cognitivas, tais como ‘pensamento do todo’ e visão de longo prazo foram também particularmente importantes; Mas quando eu calculei a relação de competências técnicas, QI e inteligência emocional como ingredientes de excelente desempenho, inteligência emocional provou ser duas vezes mais importante que os outros para postos de trabalho em todos os níveis. – Daniel Goleman

Dá só uma olhadinha no que a pesquisa do Goleman encontrou sobre Inteligência Emocional e Grandes Líderes.

Outros pesquisadores confirmaram que a inteligência emocional não só distingue líderes proeminentes, mas também pode ser ligado a um forte desempenho. As conclusões de David McClelland, o renomado pesquisador em comportamento humano e organizacional, são um bom exemplo. Em um estudo de uma empresa de alimentos e bebidas global de 1996, McClelland descobriu que, quando os gerentes seniores tinha uma massa crítica de capacidades de inteligência emocional, suas divisões superaram as metas de lucros anuais em 20%. Enquanto isso, líderes da divisão sem essas características tiveram desempenho inferior em quase a mesma quantidade. (trecho retirado do artigo “What Makes a Leader” da Harvard Business Review.

Bom, para não te deixar na mão separei alguns pontos que o Goleman reconheceu como fundamentais para fortalecer a inteligência emocional de líderes. Vamos apenas levantar os bullets, pois cada um desses detalhes pode virar um post depois. Combinado?

  • Autoconhecimento
  • Auto-regulação
  • Motivação
  • Empatia
  • Habilidade Social
Você acha que sua pressão do cotidiano é maior do que a dele?

 

Quem quiser ir além pode dar uma olhada neste artigo da HBR: “Sinais de que você tem um gap de Inteligência Emocional”. Para adiantar, seguem os 4 pontos que ele traz sobre como trabalhar essa ‘falha’.

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Bom, espero que tenha gostado. Fique à vontade para curtir, compartilhar, comentar, criticar, debater. E reflita: qual o impacto você está tendo sobre as pessoas no ambiente de trabalho? Se você entra na sala, tudo muda negativamente, o silêncio paira no ar e o clima pesa, chegou a hora de acender a luz amarela. Mas se for o contrário, seu papel eleva bastante as coisas por aí. Siga assim.

Um grande abraço e até a próxima.

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...