Líder num projeto e liderado em outro. Nova dinâmica corporativa

Outro dia tivemos a chance de bater um papo com a Sofia Esteves, fundadora do Grupo DMRH, sobre o que significa ser líder. Ela é uma das pessoas mais recomendadas no Brasil para falar sobre o assunto e deu insights interessantes sobre as novas dinâmicas que vêm surgido no ambiente de trabalho.

Um dos principais pontos que saiu dali foi em relação ao fato de que hoje já não existe uma liderança estática no cotidiano profissional. É cada vez mais comum ser líder em um projeto e liderado em outro. Isso significa que algumas barreiras precisam cair para que este processo funcione com fluidez.

A dinâmica é simples e vamos começar com um exemplo básico.

Digamos que o Google queira desenvolver um novo projeto, de auxílio de otimização de conversão para ‘sites móveis’. Nesta jornada, estão envolvidos o diretor de tecnologia global, o diretor de mobile e o diretor de novos negócios. Mas pela expertise, o projeto será conduzido por um especialista em conversão, da área de projetos.

Deu para entender? Os diretores, neste projeto, são liderados pelo especialista em conversão. Em outras dinâmicas, a situação se inverte, por exemplo.

E quais as implicações disso no cotidiano?

Maturidade corporativa

Para que isso funcione é preciso estar com um grau de maturidade corporativa bem alta. Primeiro para que as diferenças hierárquicas não sejam um fardo para todos envolvidos, o tempo inteiro. Segundo para que o líder do projeto tenha efetivamente condições de fazer o trabalho acontecer de forma suave, sem grandes percalços.

Novos produtos e expansões de mercado costumam ser casos nos quais essa dinâmica ocorre. E alguém precisa se posicionar como Sponsor do projeto, algo que falaremos um pouco mais abaixo.

Deixe o ego em casa

Os profissionais de cargos mais elevados precisam realmente deixar a vaidade no chuveiro, estando aberto a cumprir direcionamentos e acordos de um líder em posição hierárquica inferior. Ego não entra na jogada. Se entrar, o projeto será realmente fracassado, não importa a habilidade ou a competência de quem o conduz.

líder

Desenvolvimento de novas lideranças

Ter oportunidades como esta, citadas acima, são extremamente interessantes no ambiente corporativo. Um dos principais pontos é dar foco a especialistas em determinadas áreas colocarem sua visão, paixão e capacidade de gestão em projeto nos quais dominam o tema. Isso dá dinamismo aos resultados que devem ser entregues e põe força no possível alcance.

Outra grande possibilidade é deixar alguém realmente assumindo a responsabilidade, ao invés de virar uma demanda paralela da empresa, o que pode fazer com que nada saia do lugar.

Por fim, é importante para o surgimento de novas lideranças, inclusive se preparando para linhas sucessórias.

Formalização do papel de líder (RH ou Sponsor)

Talvez um dos fatores mais importantes envolvidos neste raciocínio é ter realmente um Sponsor ‘bancando’ o líder do projeto. E bancar significa dar o valor necessário ao papel dele como líder e o formalizando como gestor daquele trabalho.

Sem isso, é provável que os pontos anteriores tendam a não serem possíveis. O especialista se sentirá coagido, alguns gestores podem realmente fazer essa coação deliberada e nenhuma maturidade ou desenvolvimento de liderança sairá disso.

É importante que alguém de peso valide essa condição, seja o CEO, o Diretor de RH ou algum VP. Depois disso, aí sim é hora do líder conquistar contextualmente as outras pessoas. Mas deixar aos ventos que só ele conquiste esse espaço pode ser uma perspectiva ilusória.

Se isso está acontecendo na sua empresa ou pretende fazer algo assim no futuro, compartilhe conosco e nos conte seus desafios.

Um abraço e até a próxima.

PS: se quiser saber mais sobre a Sofia Esteves, dá só uma olhadinha no vídeo abaixo.

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Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...