O papel positivo das coisas ruins e indigestas na sua carreira

Às vezes a gente recebe uns feedbacks duros, umas respostas atravessadas, não lidamos bem com colegas de trabalho, ouvimos desaforo do mercado ou somos tratados de forma injusta. Algumas das pessoas que tomam essas ações, inclusive, nem sequer têm os valores que acreditamos, o básico do respeito ou um raciocínio que faça sentido, por exemplo. Comum, claro…muita coisa passa pelo nosso caminho.

Diante de fatos assim, muitos profissionais acabam sucumbindo, caem num loop gigante de desmotivação e não conseguem retomar um espírito combativo e a autoconfiança. É natural e acontece muito mais do que pensamos. Usualmente, essa queda ocorre quando estamos inseguros ou fragilizados de alguma forma.

Mas o intuito do material hoje é outro. É justamente pensar no outro lado, na mentalidade positiva e no aprendizado que as adversidades podem te trazer ao curso da sua carreira (e da sua vida, obviamente). Esta semana tive a chance de conversar com o Osvaldo Barbosa, diretor do Linkedin na América Latina. E ele trouxe uma perspectiva interessante sobre as dificuldades e o nosso papel perante os fatos. O Osvaldo aprendeu no “Conscius Business”, do Fred Kofman, ‘que é preciso assumir o papel de protagonista. Não apontar dedo, não procurar culpados, mas ter protagonismo. ‘

O que isso quer dizer, de verdade? Quer dizer que quando tudo parece dar errado, até daí da para tirar lições importantes e válidas para mudar o rumo das coisas. É difícil, claro. E tem limite.

Mas o que parece é que alguns têm esse limite curto demais. Como diria a Luciana Gelape, uma professora e consultora muito competente, “as pessoas não estão dispostas a ter o trabalho que o trabalho dá”. Interessante, não?

É importante testar qual é esse limite, obviamente. Ter claro quais são seus valores ajuda a compreender se a linha já foi ultrapassada, se as coisas que você não abre mão estão sendo subestimadas e se sua dignidade como individuo é respeitada. Caso não, aí realmente não vale nem se preocupar em romper. Deixe para trás o cliente, a empresa, o chefe, sem problemas.

Porém, se for uma situação normal do cotidiano, se for uma dificuldade natural, se for parte daquilo que você acredita, então torne-se realmente protagonista. Compreenda o que aquilo tudo significa, como você pode voltar a lutar pelas coisas que você acredita, pelos seus sonhos.

Ah, e indignação sem ação não leva a nada. Indignar-se é pouco. É preciso agir com inteligência, para virar os problemas, superar as pedras no caminho, os ‘sem valores’ que cruzam seu destino. Vale para qualquer coisa na jornada profissional, seja você empreendedor, estagiário, diretor, membro do conselho.

O que dá para dizer é que os chefes passam, os episódios e pessoas estúpidas saem do seu caminho, os colegas são outros, a empresa que você criou é vendida, a cidade que você mora é diferente, o ambiente de trabalho muda, mas o aprendizado fica para sempre. A vontade de ser protagonista não vai embora nunca.

Então, dá próxima vez que você culpar alguém, desistir antes mesmo de ter tentado de verdade, pare, reflita e veja que aprendizado dá para tirar daquilo e o que precisa ser feito diferente da sua parte. Lute mesmo. Mas antes de lutar contras os outros, lute com você. Pode ser útil.

Para terminar, dá só uma olhada neste vídeo do Mário Sérgio Cortella aqui embaixo sobre a noção de capricho. Tem tudo a ver com o protagonismo que o Osvaldo falou.

Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas e Graduado em GRH. Head of Pre-Sales na Samba Tech, proprietário da Penser e sócio da Life. E o mais importante, padrinho do Mateus. É isso aí...