No ambiente corporativo moderno, erros não intencionais têm sido cada vez mais aceitos como parte do negócio e têm sido aceitos como aprendizado organizacional. Isso, além de abrir mais espaço para grandes inovações, experimentações e melhorias contínuas pode fazer com que as empresas atinjam um outro patamar tanto no quesito de cultura, quanto de resultados e eficiência em processos.

Porém, por conta de anos de domínio de uma visão mais conservadora, em que o erro era inadmissível, muitos colaboradores (líderes e não líderes) ainda tem dificuldade em assumir riscos inteligentes e, pior, não conseguem assumir responsabilidade por suas falhas e reconhecer pontos de melhoria. Essa resistência e medo do erro, dificulta o movimento da empresa rumo à inovação e, mais do que isso, impede os próprios colaboradores de se desenvolverem e crescerem em suas carreiras.

A partir daí, as pessoas começam a fazer algo que chamamos de “terceirizar a culpa” e, ao invés de assumir a responsabilidade por suas falhas, buscando aprender com elas, começam a procurar por alguém a quem entregar a culpa do erro. E é aí que uma cultura organizacional pode começar a ruir.

Principalmente quando essa atitude vem de alguém em posição de liderança, os prejuízos podem ser enormes. Afinal, a coisa só funciona bem quando aqueles que tomam decisões, definem o ritmo da música e passam a assumir também a parcela considerável de responsabilidade sobre determinadas ações. É papel da liderança saber o caminho. E para que isso aconteça, duas coisas são fundamentais: ter autoconhecimento para perceber onde errou e maturidade alta para saber admitir.

E por que é que tanta gente tem essa enorme dificuldade em assumir responsabilidade e admitir seu erro? Isso pode ser mudado? E quais benefícios vem com essa mudança?

Neste artigo, vamos responder a todas essas perguntas e mostrar a real importância de se começar a assumir – e lidar com – as nossas falhas.  

Por que as pessoas têm tanta dificuldade em assumir responsabilidade por seus erros?

Seja em uma empresa ou no cotidiano, erros normalmente não são vistos como algo bom ou aceitável. Normalmente, ainda que se possa aprender e crescer com eles, erros são fonte de vergonha e há um senso comum de que as vezes é melhor escondê-los do que assumí-los.

E se tratando especificamente do contexto corporativo – que tem os fatores carreira, remuneração e credibilidade em jogo – as pessoas ficam ainda mais resistentes a lidar com as próprias falhas e a torná-las públicas.

Isso acontece por uma série de motivos, todos extremamente ligados à concepção negativa do erro, e podemos destacar três dos principais.

1. Medo de julgamentos

Quando uma pessoa assume a responsabilidade por seus erros e mostra ao mundo suas falhas, de certa forma, ela está se expondo e deixando vir à tona suas vulnerabilidades e fraquezas. E a maioria das pessoas quer evitar isso a qualquer custo.

Vivemos em um contexto extremamente competitivo, em que todos querem parecer mais fortes e melhores o tempo todo. E por isso assumir um erro é tão difícil: ninguém quer ficar exposto aos julgamentos do próximo ou correr o risco de manchar sua imagem e sua credibilidade.

Porém, é preciso entender que hoje o erro não tem mais esse caráter apenas negativo. Ele faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento do ser humano e é importante para que sejamos pessoas melhores.    

2. Cultura organizacional (ou falta dela)

Apesar de isso estar mudando, em empresas muito tradicionais e conservadoras, o erro nem sempre foi visto como parte do processo e na maioria das vezes não havia espaço para ele.

Portanto, as pessoas não estão acostumadas a lidar com suas falhas e não conseguem enxergar seus erros como parte do seu crescimento. Elas evitam ter de lidar com esse tópico e estão sempre buscando por formas de esconder a sujeira por baixo do tapete.

Nesses casos, é essencial que a mudança de mindset seja proposta pela empresa e que haja diálogo e incentivo aos erros inteligentes.

3. Ego

Algumas pessoas simplesmente pensam que estão acima de qualquer falha. Para elas, seu trabalho é tão acima da média, que o erro é sempre dos outros – afinal, não há mais nada em sua função que já não seja perfeito e que precise ser desenvolvido.

Essas pessoas são incapazes de assumir responsabilidade diante de grandes falhas e problemas, simplesmente porque seu ego está inflado demais. Isso impede seu desenvolvimento a longo prazo e pode acabar arruinando sua carreira.

Por melhor que um trabalho seja, ele sempre pode ser melhorado e começar a enxergar e assumir erros é o primeiro passo para o desenvolvimento de um futuro brilhante.  

Por que é importante assumir responsabilidade – e por que grandes líderes fazem isso?

Como citamos, erros são parte da jornada de qualquer ser humano e longe de serem apenas algo negativo, ligado às falhas e problemas de uma pessoa, eles são uma excelente oportunidade de desenvolvimento e crescimento pessoal.

No contexto organizacional, aceitar erros não intencionais como parte do negócio pode acelerar movimentos de inovação e ajudar no desenvolvimento de novos processos e estruturas mais eficientes. Isso tudo, com o tempo, pode ser o diferencial entre uma empresa de sucesso e uma estagnada, que ficou focada demais apenas em não falhar.

Por isso, é importante que as pessoas dentro de um negócio, principalmente os líderes, estejam preparadas para assumir responsabilidade e passem esse sentimento para toda a equipe.  

Em um artigo para a Forbes, Glenn Llopis ressalta um ponto importante sobre isso tudo:

“Você nunca pode ir para a liderança sozinho. Infelizmente, muitos líderes permitem que os seus egos e agendas ocultas fiquem no caminho, ao invés de fazer o que é melhor para as pessoas e organizações que servem. Os líderes não são responsáveis por estarem sempre certos. No entanto, eles são responsáveis por verem que os problemas tornam-se oportunidades. Ser o líder mais eficaz nos obriga a assumir a responsabilidade de dissecar tanto o “porquê” quanto o “como” durante momentos de sucessos e falhas.”.

E ainda neste mesmo artigo, o autor ressalta os 4 pontos/benefícios fundamentais que fazem com que grandes líderes e colaboradores assumam seus erros. Vamos passar rapidamente por cada um deles:

1. Você ganha respeito

As pessoas não esperam perfeição, mas sim transparência, honestidade e justiça. Quando você assume responsabilidade por seus atos em vez de ficar tentando “terceirizar a culpa”, você mostra que se preocupa com isso tudo e que é alguém em que se pode confiar.

2. Vulnerabilidade fortalece a equipe

Quando os líderes admitem erros, eles trazem à tona os pontos de seu trabalho ou de seu processo nos quais ainda existem falhas e, dessa forma, criam um importante senso de responsabilidade que pode ser compartilhado entre a equipe. Diante disso, as pessoas tendem a se unir e a suportar um ao outro na busca por melhorias e resultados positivos.

3. A liderança vem do exemplo

Quando um líder não tem medo de dizer que errou e de assumir responsabilidade por seus atos, ele mostra que todas as outras pessoas também têm espaço para fazer isso, elevando o envolvimento dos funcionários. Assim, a equipe passa a ter menos medo de fazer, de evoluir e de trazer coisas que possam levar a organização a um nível mais alto.

4. Construção de confiança

Quando os três pontos acima são alcançados, a cultura corporativa passa a elevar a confiança dos colaboradores, trazendo um senso de empreendedorismo maior e tomadas de decisões mais inteligentes e corajosas.

Como evitar a “terceirização” da responsabilidade?

É parte do papel de líder compreender o grau de maturidade que ele tem perante as ações da equipe e da empresa. Se não compreende, aí já há o primeiro problema. Essa postura precisa partir do topo da pirâmide organizacional. Se o CEO ou grande parte do board não admite seus erros e está sempre apontando o dedo para outra pessoa, é comum que essa cultura passe a fazer parte da rotina da empresa, virando padrão negativo para momentos de assumir responsabilidade.

Para que isso aconteça, a liderança precisa ter um nível interessante de maturidade. E isso só vem com autoconhecimento e vontade de se compreender. Caso não aconteça, algum tipo de trabalho externo pode ser útil, uma vez que esse perfil demonstra que há uma cegueira generalizada (ou individualizada) nos líderes e o grau de blindagem pode estar alto.

Nos textos aqui, a gente sempre gosta de mencionar aquele exercício do “quando foi a última vez”. E tem mais um neste post, claro. Enquanto lê, comece a refletir (e depois escrever) sobre “quando foi a última vez que eu fui responsável direto por uma tomada de decisão, falhei e admiti meu erro?”. Pode até ser no cotidiano. Coisas pequenas, de casa, da rotina do escritório. Depois vá pensado em situações maiores, estratégicas.

  • Tirei algum aprendizado disso ou simplesmente virei as costas?
  • Culpei alguém?
  • Assumi a responsabilidade publicamente?
  • Pedi feedback para as pessoas sobre esse erro?
  • Cumpri meu papel de líder ou fui cego (a)?

Quando se está em posições mais altas na cadeia hierárquica, fica confortável descer essa responsabilidade. É cômodo, rápido e fácil. Certo? Mas se a liderança quer realmente levar a organização para outro patamar, é melhor começar a levar a sério a maturidade de assumir suas próprias ações e ser o espelho que se espera do quadro corporativo. E para isso é preciso entender o seu papel e, principalmente, deixar o ego em casa, pensando como CNPJ e não como CPF. Você representa algo maior do que sua vaidade.

Conclusão

Começar a assumir seus erros e a se sentir responsável por suas falhas e decisões equivocadas pode parecer algo difícil, mas vai te ajudar a atingir um outro nível em sua carreira e desenvolvimento pessoal.

Não tenha medo de assumir responsabilidades e comece a entender que o mais importante não é o erro, mas sim o que você pode aprender com ele. Se sua empresa já está mais aberta à experimentações e disposta a correr riscos inteligentes, não tenha medo de buscar por isso e entenda que as falhas fazem parte da sua evolução.

E se a sua empresa ainda não incentiva esse tipo de comportamento, procure entender por que isso acontece e tente ajudar a promover uma mudança de mindset coletivo. Isso vai ser essencial para o sucesso do negócio.

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Ps: a foto aí do post é do Steve Harvey, o cara que errou no Miss Universo 2015, anunciando como vencedora a segunda colocada. Ele admitiu o equívoco e pediu desculpas.

Fernando Pacheco

Mineiro, animado e bom leitor. Formado em Comunicação pela PUC-MG, MBA em Gestão de Pessoas, Graduado em Gestão de Recursos Humanos e Pós-graduado em Controladoria e Finanças. Diretor de Operações da Samba Tech e CEO da Penser.
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